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Sociedade Matogrossense de Pediatria |
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Boletim Informativo Terceiro e Quarto Trimestres - 2001
Número: 17
EDITORIAL
O exercício da medicina vem se tornando a cada dia uma profissão
de alto risco e até certo ponto frustrante, principalmente para nós
pediatras. O empobrecimento gradativo da classe médica fez com que o
médico fosse obrigado a ter vários empregos numa tentativa de
manter um padrão de vida razoável para a sua condição
social. Dessa maneira, o médico alterna plantões, ambulatórios,
consultório, numa roda-viva cansativa quase sempre prejudicando o convívio
familiar e até sua própria saúde. Nessa maratona trabalhista
às vezes por sobrecarga de trabalho, deixamos de preencher corretamente
as fichas de atendimento com a história do paciente, exame físico,
condutas tomadas e destino dado ao paciente, perdendo assim o documento mais
valioso para nossa defesa, que é o prontuário médico.
O cansaço da nossa profissão atinge seu risco máximo quando
deparamos com as péssimas condições de trabalho oferecidas
pelo serviço público, onde o déficit de material, medicamentos,
e até de recursos humanos nos obriga a suprir estas falhas num esforço
que prejudica a relação médico-paciente e nos faz correr
o risco de cometer o famoso "erro médico".
O artigo 14 do código de ética médica estabelece que o
médico deve empenhar-se para melhorar as condições de saúde
e os padrões dos serviços, assumindo sua parcela de responsabilidade.
Isso significa que temos que denunciar por escrito a irregularidade que está
ocorrendo no momento e encaminhar esta denúncia para a direção
do hospital, com cópia ao CRM e, dependendo do caso, para a delegacia
mais próxima, para que sejam tomadas providências o mais rápido
possível.
Quanto aos planos de saúde, apesar de no momento estarmos com o consultório
cheio de "retornos", vislumbramos a nova LPM (Lista de Procedimentos
Médicos) editada pela AMB, CFM, Sociedades de Especialidades e assessorada
pela FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas),
com vistas à sua viabilidade econômica e com minuciosa pesquisa
junto às especialidades. A nova LPM deverá ser apresentada no
dia 25 de outubro de 2001, em Manaus, durante o II Encontro Nacional dos Conselhos
de Medicina. Esperamos que seja aprovada e entre em vigor o mais breve possível.
Pediatras: precisamos estar juntos nessa luta! Devemos trabalhar com dedicação
e profissionalismo para termos o direito de honorários dignos.
Maria Júlia V. J. Fernandez
Presidente do Comitê de Defesa Profissional da SOMAPE
DIRETORIA EXECUTIVA
Presidente: Alda Elizabeth B Iglesias Azevedo
Vice-Presidente: Sandra Breder Assis
1º Secretário: Antonio José de Amorim
2º Secretário: Rubem Couto
1º Tesoureiro: Éder Duarte de Oliveira
2º Tesoureiro: Newva Maria de Campos Assami
CONSELHO FISCAL
Cláudio Poletto Cassarotto
Eloar Vicenzi
José Carlos Di Anniballi
COMISSÃO DE SINDICÂNCIA
Flavia Junqueira Barros Abate Marques
Mário Luiz Tenório Perrone
Rosidelma Nassarden Santos Favalesso
DIRETORIA DE CURSOS E EVENTOS
Hea Chung Kim
Maria de Lourdes Montes Claros Silva
Natasha Slhessarenko
DIRETORIA DE PUBLICAÇÕES
Lúcia Helena Barboza Sampaio
Marilia Mota da Silva Pereira
Dirce Mutsumi Gushiken Duarte
Maria Olímpia Teixeira Cajango
Euze Marcio Souza Carvalho
COORDENADOR DOS SERÕES
José Rubens do Amaral Zaitune
COORDENADORA DO CURSO DE REANIMAÇÃO NEONATAL
Maria de Fátima de Carvalho Ferreira
COORDENADORA DE COMITÊS
Terezinha Lermen Donatti
COORDENADORA DE CAMPANHAS
Sandra Coenga de Souza
COORDENADORA DO CURSO PREPARATÓRIO PARA O TEP
Marta Duarte De Barros
Olga Akiko Takano
COORDENADORA DO CURSO PALS
Olga Akiko Takano
· CIRAP - Cursos Itinerantes de Reciclagem e Atualização Pediátrica: A SBP vem organizando cursos com temas variados, com a finalidade de atualizar os pediatras do interior. No último trimestre foram realizados em Rondonópolis, coordenado pelas Dras. Regina Souza A. Camacho e Ivonês Rech de Mendonça; em Tangará da Serra, coordenado pelo Dr. José Carlos Di Anniballi. Foram abordados temas de atualização sobre Nefrologia, Dermatologia e Neurologia respectivamente pelas Dras. Teresinha L. Donatti (MT), Ana Maria Mosca (RJ) e Ana Maria Low (DF).
· X Semana Mundial da Amamentação - É um evento
comemorado anualmente em cerca de 120 países para promoção
do aleitamento materno. Este ano, foi realizada no período de 1 a 7 de
outubro, com o tema "Amamentação na Era da Informação".
Em Cuiabá houve uma parceria entre a SOMAPE, Correios e Telégrafos,
SES-MT, FUSC, TELEMAT CELULAR. A abertura foi no Hospital Universitário
Julio Muller com a inauguração do Banco de Leite e o lançamento
do selo comemorativo da X Semana Mundial da Amamentação pelos
CORREIOS.
· Fizeram parte desta comemoração:
* atividades com a comunidade do bairro Novo Paraíso onde foram premiadas
as crianças que realizaram os melhores desenhos, colagens e frases sobre
amamentação com telefones celulares para os primeiros lugares;
* plantão na Somape com o "Disque Amamentação";
*pedágio educativo na Praça Alencastro,
;* prêmios para as mães participantes do PSF que amamentaram exclusivamente
no seio por 6 meses.
· O treinamento dos carteiros para participação do programa
"Carteiros Amigos da AMAMENTAÇÃO" contou com a colaboração
da Dra. Maria Julia V. Guedes. Os carteiros que utilizam camisetas com a frase
".LEITE MATERNO : BOM PARA A MÃE, MELHOR PARA O BEBÊ",
são preparados para tirar pequenas dúvidas e entregam cartilha
sobre o temas as mães com pouco acesso as informações.
· A diretoria da Somape vem se destacando pela sua atuação
em atividades preventivas através da divulgação de medidas
educativas junto à comunidade. Por estas iniciativas recebeu elogios
do presidente da SBP, Dr. Lincoln Freire, da coordenadora das campanhas da SBP,
Dra. Raquel Niskier, e do presidente do Departamento de Segurança Infantil,
Dr. José Américo.Alem disto, no penúltimo e ultimo SBP
Noticias estivemos em destaque em 3 colunas. CONFIRAM!!
· A II Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do
Adolescente e I Conferência Municipal dos Adolescentes contou com a participação
da presidente da SOMAPE, Dra Alda Elizabeth Iglesias Azevedo. Na ocasião
a Dra. Alda Elizabeth proferiu palestra para os adolescentes presentes cujo
tema foi "Conceituando e sensibilizando a violência doméstica".
· Também se fez presente a Dra. Alda, na III Conferência
Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, ocorrida entre os
dias 19 e 21 de setembro, em Cuiabá. Foram aprovadas as seguintes propostas,
entre outras, na área da saúde para o estado: (1) implantação
urgente do PROSAD (Programa de Assistência à Saúde do Adolescente
- MS); (2) implantação da rede de atendimento às crianças
e adolescentes vitimizados; (3) implantação da resolução
do CONANDA sobre os direitos das crianças e adolescentes hospitalizados;
(4) inclusão no PSF, de profissionais especializados no atendimento da
criança e do adolescente. A proposta única (conforme regimento)
retirada deste grupo de trabalho para levar a 4a conferência do CONANDA
(Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) foi a inclusão
de uma equipe multidisciplinar especializada em criança e adolescente
no PSF.
· Parabéns ao nosso colega Roberto Diniz Vinagre! Em reunião
do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SBP, no dia 29 de
outubro de 2001, Roberto foi eleito vice-presidente deste departamento.
· Parabéns, também para os colegas Maria Izabel Nadaf e
Sérgio Júlio Fernandes que aprovados no concurso conquistaram
o TETIP.
· Rondonópolis- Destaque queremos dar a participação
de crianças e adolescentes deste município na Campanha de Prevenção
e Acidentes da SBP , mandando e elaborando redações sobre o assunto
.Total de 19 inscrições lideradas pela colega Ivones Reck
· PEPS- UNIMED: No mês de outubro os pediatras foram palestrantes
com temas diversos para a comunidade .UM SUCESSO. Participaram : Roberto Vinagre,
Alda Elizabeth Azevedo, Lúcia Helena Sampaio e Euze Carvalho.
Foto 13 foto 14
Foto PALS 2
Disquete
· Foi realizado com sucesso em Cuiabá, no mês de outubro,
o Curso PALS (Pediatric Advanced Life Support), organizado pela SOMAPE e coordenado
pela Profa. Olga A. Takano, do Departamento de Pediatria da FCM/UFMT, em parceria
com a Unimed-Cuiabá e HUJM. Quarenta e seis aprovados!
Foto PALS 1
Disquete
· Serões de Pediatria - Nos últimos serões foram
abordados os temas: Anemias na Infância e Adolescência, Distúrbios
Psico-emocionais na Infância e Adolescência e Dor abdominal. Participar
dos serões é uma oportunidade de reciclagem entre amigos...
· 12 a 16 de junho de 2002- Cuiabá vai sediar o IV Congresso Brasileiro
Integrado de Pediatria Ambulatorial, Saúde Escolar e Cuidados Primários
e I Congresso Matogrossense de Enfermagem Pediátrica. Temas do nosso
dia a dia, com ênfase cada vez maior para a pediatria preventiva e humanitária,
é o que estamos preparando cuidadosamente para este congresso. Programe-se
e prepare seu Tema Livre. Haverá prêmios para os melhores trabalhos.
Logo divulgaremos os critérios para inscrição.
INFORMAÇÕES: www.somape.com.br
· O Leite Humano e sua importância na nutrição do
RN prematuro- Livro a disposição dos colegas na SOMAPE, graças
a doação de seu autor o pediatra Roberto Vinagre.
O PEDIATRA, NOSSAS CRIANÇAS E A PREVENCÃO DAS DOENÇAS CARDIOVASCULARES
Desde que se identificou a doença cardíaca como uma das principais
causas de óbito dos tempos atuais, seus fatores de risco tem sido amplamente
divulgados e a prevenção se tornou o ponto chave na luta contra
este mal. Tratar adultos obesos, hiperlipêmicos, sedentários ou
hipertensos é uma maneira de deter ou desacelerar o processo aterosclerótico
em um momento no qual a doença já está instalada, exercendo
seus efeitos deletérios em diversos órgãos. Cosiderando
que a patogenia da doença aterosclerótica se inicia na infância,
tratá-la ou preveni-la no adulto é um esforço válido
mas muito tardio.
Há varias décadas já se demonstrou que as estrias gordurosas,
precursoras das placas ateroscleróticas, começam a aparecer na
aorta a partir dos três anos de idade. Sabemos que crianças filhas
de pais hipertensos tem maior possibilidade de evoluírem com hipertensão;
assim como os filhos de pais hiperlipêmicos tem maior possibilidade de
evoluírem com hiperlipidemia. Conhecemos o número crescente de
crianças e adolescentes obesos. Sabemos que 80% dos que iniciam a adolescência
obesos serão adultos obesos. Estes, entre outros dados, nos sugerem que
prevenir a doença cardiovascular do adulto deva ser mais uma incumbência
do Pediatra, afinal os hábitos adquiridos na infância são
preservados na vida adulta.
Ótimo! Parece simples. Criamos nossas crianças com bons hábitos
de vida - boa alimentação, atividade física, etc. e desta
maneira retardamos ou evitamos o aparecimento das doenças cardiovasculares
no adulto. É verdadeiro, mas não tão simples. Vejamos o
que tem acontecido com nossas crianças nas ultimas décadas. A
organização familiar mudou. A mulher (e mãe) assumiu parte,
se não a totalidade, do orçamento familiar. Assim pai e mãe
passam a maior parte do tempo fora de casa. A violência crescente e a
falta de segurança aliadas à ausência dos pais confinam
cada vez mais os espaços permitidos para as brincadeiras. Mesmo nas classes
sociais mais baixas, as crianças ficam dentro de casa no período
em que não estão na escola. Brincar na rua é coisa dos
"tempos que não voltam mais". As crianças já
se acostumaram a ser sedentárias, afinal dentro de casa sempre existe
um atrativo, no mínimo a televisão ligada a tarde toda com programas
para todos os gostos. Para os de melhor poder aquisitivo os videogames, jogos
de computação e a Internet. Para qualquer destas atividades gasta-se
o mínimo de energia e ainda se assimila, via mídia, o estímulo
a ingesta de alimentos de alto valor calórico, pouco valor nutritivo
e até alto teor de gorduras, o que a criançada adora! As mães
vivem reclamando. Seus filhos não comem frutas, verduras, sucos,...mas
adoram chocolates, bolachas, refrigerantes e uma infinidade de guloseimas como
baconzitos, xiitos e outros "itos" mais. Aqui já está
estabelecida a "melhor" fórmula para a obesidade: pouco gasto
energético + dieta com alto valor calórico.
Além da vida sedentária e da má alimentação,
as crianças também assimilaram mais um hábito, antes "privilégio"
dos adultos: o stress. Tensão, ansiedade e angústia fazem parte
do dia-a-dia das crianças. Estão na sua rotina. Na agenda com
muitos afazeres a cumprir. Na TV com seus noticiários globalizados que
nos informam com eficiência espantosa todas as tragédias do mundo.
Na convivência familiar onde participam dos conflitos conjugais de seus
pais, das dificuldades econômicas, dos atritos interpessoais dos mais
próximos. Nas noticias de familiares vítimas de violência
(ou você conhece alguma família ilesa à violência?).
Estão até nas brincadeiras de maior sucesso - os jogos eletrônicos.
Vencer a máquina é uma brincadeira estressante capaz inclusive
de causar picos hipertensivos.
Pois bem, as crianças imitaram tão bem os adultos que atualmente
não basta "criar" bons hábitos de vida na infância,
é preciso mudá-los.
É neste contexto que se insere o pediatra e sua função
preventiva de criar futuros jovens e adultos mais saudáveis. Detectar
e tratar precocemente a obesidade e a hipertensão. Estimular o exercício
físico e a vida ao ar livre. Ensinar a boa alimentação.
Tudo isto exige do pediatra uma laboriosa anamnese e maior tempo na consulta
para discutir com os pais a importância de todas estas medidas*. A realização
de exames para determinar o perfil lipídico das crianças também
tem sido indicada. Existem opiniões divergentes a respeito da clientela,
ou seja, em que crianças precisamos dosar o perfil lipídico? Em
todas ou apenas nas consideradas de maior risco? Discussões à
parte o Consenso Brasileiro sobre Dislipidemias da Sociedade Brasileira de Cardiologia
indica que o dosagem sistemática do perfil lipídico (colesterol
total e frações e de triglicerídeo) não é
recomendável para todas as crianças. Entretanto deve ser realizada
entre 2 e 19 anos nas seguintes situações: a) avós, pais,
irmãos, tios e primos de primeiro grau com Doença aterosclerótica
manifesta (doença arterial coronária, periférica ou cerebrovascular)
antes dos 55 anos para o sexo masculino e antes dos 65 anos para o sexo feminino;
b) parentes próximos com Colesterol total Ê 300mg/dl ou triglicerídeo
Ê400mg/dl. c) presença de pancreatite aguda, xantomatose, obesidade
ou outro fator de risco para doença aterosclerótica.
Vários estudos demonstram evidências da importância de se
detectar precocemente as crianças com dislipidemia e a segurança
e eficácia das intervenções sobre estes e os demais fatores
de risco. Salientam a importância de que esta intervenção
seja ampla e resultado de um esforço conjunto envolvendo pais, professores,
programas de saúde escolar e provedores de saúde. Em nome das
crianças procura-se envolver toda a família neste estilo de vida,
pois não se muda o hábito de um só elemento do grupo, se
não o de todos eles.
Os benefícios potenciais da prevenção das doenças
cardiovasculares na infância são incomensuráveis. A omissão
permitirá que as doenças cardiovasculares continuem sendo a maior
causa de morbimortalidade de nossa época.
Os valores de referência conforme o 20 Consenso Brasileiro sobre Dislipidemias (Arq Bras Cardiol V67,1996), estão na tabela abaixo.
Valores de referência de CT, LDL-c, HDL-c e TG entre 2 e 19 anos de idade
Lípides Idade valores (mg/dl)
Desejável Limítrofe Aumentado
CT <170 170-199 >200
LDL-c <110 110-129 >130
HDL-c <10 > 40 - -
10-19 > 35 - -
TG <10 < 100 - >100
10-19 < 130 - >130
CT= colesterol total, TG = triglicerídeo.
Dra. Maria Cecília Knoll Farah
Presidente do Comitê de Cardiologia Pediátrica - SOMAPE
Membro do Departamento Científico de Cardiologia Pediátrica da
SBP
referências
1. Berenson GS, Wattigney WA, Tracy, Wattigney WA, Tracy RE et al- Atherosclerosis
of the aorta and coronary arteries and cardiovascular risk factors in persons
aged 6 to 30 years and studied at necropsy: the Bogalusa heart study. Am J Cardiol
1992;70:851-8.
2. DISC Collaborative Research Group. Efficacy and safety of lowering dietary
intake of fat and cholesterol in children with elevated low lipoprotein cholesterol.
JAMA. 1995; 273:1429-1435.
3. Forti N, Giannini SD, diament J, Issa j , Fukushima J, Bó CD, Barreto,ACP
- Fatores de risco para Doença Arterial Coronariana em crianças
e adolescentes filhos de coronariopatas joves. Arq Bras Cardiol V66 (3) 119-123,
1996.
4. Gerber ZRS & Zielinsk P - fatores de risco de atterosclerose na infância.
Um estudo epidemiológico. Arq Bras Cardiol, v69(n4) 231-6, 1997.
5. Lauer R, Connor WE, Leaverton PE, Reiter MA, Clarke WR - Coronary heart disease
risk factors in school children: The Muscatine study. J Pediatr 1975;86:697-706.
6. Luepker RV, Perry CL, McKinlay SM et al. Outcomes of a field trial to improve
children's dietary patterns and physical activity: the child and adolescente
trial for cardiovascular health (CATCH). JAMA. 1996; 275 :768-776.
Troiano PR, Flegal KM , Kuemarski RJ, Campbell SM, Johnsom CL - Overweight Prevalence
and trends for children and
adolescents: the national Health and Nutrition Examination Surveys, 1993 to
1991. Arch Pediatr Adolesc Med. 1995;
149: 1085-1091.
AS PRINCIPAIS DIFICULDADES DO DIAGNÓSTICO DE FEBRE REUMÁTICA:
OS DIAGNÓSTICOS FALSOS POSITIVOS.
Quando as manifestações clínicas da FR se apresentam de modo clássico, não existem dificuldades no diagnóstico. O problema é que muitas vezes seus sintomas mimetizam os produzidos por outras doenças. Outras vezes, os sinais e/ou sintomas produzidos por outras doenças ou estados fisiológicos mimetizam as manifestações da FR. Veremos a seguir as situações mais freqüentes ou importantes nas quais o diagnóstico é estabelecido e o paciente não tem FR (falso positivo).
ASLO elevada + dor em membros
A dor em membros, principalmente por "dor de crescimento", com freqüência
é o motivo da consulta pediátrica em postos de atenção
primária e pode levar o pediatra a suspeitar de FR, que para "confirmar"
a hipótese, solicita a dosagem da ASLO. Nestes casos, encontrar valores
elevados da ASLO pode confundir ainda mais o diagnóstico.
Devemos lembrar que a elevação dos níveis de ASLO só
indicam a infecção pregressa (semanas à meses) pelo estreptococco
b- hemolítico do grupo A independentemente do local da infecção
(amigdalite, faringite, escarlatina, erisipela, impetigo), de ter sido causada
por germe reumatogênico ou nefritogênico, de ter ou não desencadeado
resposta imune alterada responsável pela FR.
A FR só ocorre em indivíduos susceptíveis após infecção
faringoamigdaliana por cepa reumatogênica do estreptococco b- hemolítico
do grupo A. Em situações de epidemia, apenas 3% dos indivíduos
com faringoamigdalite estreptocóccica evoluirão com FR, embora
a maioria deles desenvolva níveis elevados de ASLO.
Portanto, nesta situação, tem maior valor a caracterização
detalhada da queixa de dor. A "dor de crescimento", de modo típico,
ocorre com maior freqüência no período noturno, nos dias de
maior esforço físico da criança, tem duração
de poucas horas e melhora com massagens e analgésicos. Outras vezes ocorre
durante o dia, logo após esforço físico não habitual,
mas não chega a interromper a brincadeira. O quadro articular da FR se
apresenta geralmente com dor intensa, claudicação e impotência
funcional e poucos ou nenhum sinal flogístico. A dor costuma mudar a
rotina, impede as brincadeiras e muitas vezes impede a deambulação.
Acomete as grandes articulações e é migratória.
Dura de 1 a 3 semanas e melhora rapidamente com uso de AAS.
Sopro cardíaco funcional + dor em membros
Os sopros funcionais existem em 30 - 40% das crianças normais dependendo
do método e da faixa etária da população estudada.
Com freqüência podem existir concomitantes à queixa de dor
em membros e erroneamente serem interpretados como sinais de cardite e poliartrite.
Algumas características são úteis na identificação
de sopros funcionais em crianças normais: a criança não
tem sintomas relacionados ao aparelho cardiovascular, não apresenta outros
sinais de cardiopatia ao exame físico (abaulamento precordial, hepatomegalia,
impulsões precordiais, etc.). O sopro é de discreta intensidade,
não produz frêmito, é localizado, sem irradiação,
é protomesosistólico ou contínuo (nunca diastólicos)
e se modificam com mudanças de posição. As bulhas são
normais. Os sopros produzidos pela cardite reumática refletem o acometimento
das valvas cardíacas, sendo a insuficiência mitral (sopro holosistólico
no foco mitral que irradia p/ axila) e a insuficiência aórtica
(sopro diastólico no foco aórtico acessório) as mais freqüentes.
O maior perigo desta situação é rotular de FR outras patologias
que cursam com dor em membros, em crianças com sopro funcional. Devemos
estar sempre atentos para o diagnóstico diferencial. A dor em membros
pode ser manifestação de doenças hematológicas (anemias
hemolíticas, leucoses) doenças ortopédicas (genu valgo
ou varo, pé plano, cistos e tumores ósseos) outras colagenoses
(ARJ, LES) outras doenças menos comuns (Doença de Kawasaki, Doença
do Soro).
No próximo boletim veremos as situações nas quais o diagnóstico
não é estabelecido e o paciente tem FR (falso negativo).
Dra. Maria Cecília Knoll Farah
Presidente do Comitê de Cardiologia Pediátrica - SOMAPE
Membro do Departamento Científico de Cardiologia Pediátrica da
SBP
©Infelizmente a diagramação do último Boletim alterou o texto sobre "Febre Reumática", tornando-o quase incompreensível. Se desejar o texto original entre em contato conosco através dos e-mail mcknoll@zaz.com.br ou somape@zaz.com.br. Manifeste suas dúvidas ou indique os temas de seu interesse.
· ATENÇÃO: Recebemos o seguinte informe do secretário
geral da AMB: Os nomes da Associação Médica Brasileira,
Associação Médica de Minas Gerais e Sociedade Brasileira
de Alergia e Imunologia, bem como do ex-presidente Charles K. Naspitz, está
sendo ilegalmente usado por Ary Henn Júnior, que se diz ser editor-presidente
da empresa "Guanabara Koogan & Manole, a fim de vender a assinatura
do "Journal of Allergy and Clinical Immunology". Portanto qualquer
sócio que seja visitado por pessoas que se apresentem em nome da AMB
ou outra entidade, deverá entrar em contato com a sede para confirmar
a autenticidade do procedimento. Vale lembrar que as únicas pessoas que
tem autorização para oferecer seguros do Clube Médico são
os funcionários da seguradora Previdência do Sul.
· CEJA - Os médicos da capital e interior já podem contar
com a equipe técnica do poder judiciário (psicólogo e assistente
social), para acompanhar as gestantes com risco de abandono de seus filhos.
Entre em contato com o fórum de sua cidade ou ligue 617 3054 para maiores
informações no CEJA (Comissão Estadual Judiciária
de Adoção).
· COLEGA: NÃO FIQUE SÓ. FIQUE SÓCIO - Um SUCESSO
a nossa campanha para resgatarmos sócios inadimplentes e novos sócios
. Atingimos 36 colegas, portanto já somos 290 pediatras sócios
em todo estado.
· ANUIDADE 2002- Manteremos desconto na produtividade da UNIMED-Cuiabá
em 20 reais , facilitando a sua contribuição com a SBP. No mês
do seu vencimento estaremos responsáveis para o repasse. Lembramos que
a partir de 2002 a anuidade será de 190,00 para os sócio quites
e aos inadimplentes 230,00. Caso você não deseja participar da
promoção entre em contato com a UNIMED. Acrescentamos que, para
os sócios quites haverá uma contribuição de aproximadamente
2,09 reais mensais para manutenção da estrutura administrativa.VAMOS
PARTICIPAR , VOCÊ TAMBÉM É RESPONSÁVEL PELAS ATIVIDADES
DA SOMAPE.
· 50 Congresso Nacional de Pediatria - Região Nordeste: 28 a 31
de maio de 2002, em Aracajú- Sergipe.
· IV Congresso Brasileiro Integrado de Pediatria Ambulatorial, Saúde
Escolar e Cuidados Primários e I Congresso Mato-grossense de Enfermagem
Pediátrica: de 12 a 16 de junho de 2001, no Centro de Eventos do Pantanal.
· 7º Congresso Brasileiro de Obstetrícia da Infância
e Adolescência- 16 a 19 de outubro 2002- Cuiabá - MT
· XIII Congresso Brasileiro de Infectologia Pediátrica de 08 a
11 de novembro de 2002- Salvador - BA
· CURSO NESTLE DE ATUALIZAÇAO- outubro 2002- Rio de Janeiro- RJ
· Serões de Pediatria - Mensalmente, às 20 horas. O dia
e local estão variando para atender a todos. Enviaremos estas informações
com antecedência para que você possa participar.
É de se lamentar a atitude tomada pela Secretaria Municipal de Saúde
de Cuiabá cortando a complementação de pagamento por serviços
prestados ao SUS, o que vinha ocorrendo há cerca de oito anos, desde
a administração do Cel. Meirelles. Naquela época, poucos
profissionais e serviços queriam atender os pacientes do SUS, devido
aos baixos valores pagos pelos serviços, o que causou uma paralisação
quase total do atendimento, que só foi solucionada com o acordo patrocinado
pelos Ministério Público Federal e Municipal. Passados tantos
anos, a prefeitura não se adequou às novas exigências de
uma administração competente e sem cabide de emprego, achou por
bem desestruturar o que estava organizado e comprar um desgaste inconseqüente
na área de saúde. Vamos esperar para ver o que vai dar.
Manoel Bomdespacho do Nascimento
Professor do Departamento de Pediatria da UFMT